Este que humildemente se atreve a escrever.
Frágeis linhas sobre meu viver.
Pretende um simples relato fazer.
Não muito claro, mas talvez tu até venhas um certo dia a entender.
Será uma carta rica em memórias, deixada para meus ditos póstumos.
Intencionalmente escrita e confabulada para única e exclusivamente falar de mim.
Uma carta simples sem muitos prólogos, com muito a dizer em tuas entrelinhas.
Direta sem rodeios para que futuramente quem se aventurar a lê-la não devas eu ter que explicar.
Até mesmo porque as causalidades da vida não permitirão tais mimos futuros.
Garanto que aquele que se propor a ler não se sentiras em um monólogo.
Pois bem sei que alguém lerá e com o texto dialogará.
Perguntaras quem fui, o que fiz, qual legado deixei, por quais canções suspiros eu dei.
Por onde andei, com quem andei?
A quem amei, em quais livros me inspirei, o que comi, a quem ouvi.
Com quem falava, quem odiei, por que chorei, por quem chorei, onde nasci, onde e como morri?
Responderei com toda classe e elegância de poeta que aprendi.
Minuciosamente tais questões, porém não aqui responderei a ti.
Que comigo convives, que nutre sentimento de dor ou de amor por este sóbrio sonhador.
Assim bem sei que minha história contada eu terei.
Pois de mim vocês falarão, bem ou mal assim dirão:
-Não sei bem não, atenção para este ai nunca dei, nem favor a ele prestei!
-Aquele ali ia e vinha sem falar, sem parar, sem cumprimentar...
Sempre muito a pensar, acho que até a sonhar com aqueles olhos abertos absortos em olheiras, acho que não dormia não.
-Às vezes ao longo vinha a sorrir, às vezes sozinho a falar via-o caminhando a lamentar...
-Um dia deste o vi lendo, noutro dia já o vi de pena não mão escrevendo...
-Muitas paixões este cão de rua deveras teve...
Porém com poucas de mão nas mãos se permitiu caminhar.
A luz da lua ou do dia, tal como um amante o faria.
-Do trabalho aquele ali nunca foi fã, mas ia e seu trabalho fazia.
-Não se envolvia com os demais, não se iludia e vivia o dia a dia...
-Preferia assim como ele mesmo dizia: “-Bater um bom papo até a luz do dia em minha janela aportar”.
Não fui o melhor de minha etnia, porém não só de ar e água vivi.
Exigi com toda propriedade os melhores tratos e por isto sozinho sem as graças de outrem muitas vezes me encontrei.
De poemas não vivi, porém a pouca malandragem que a mim sobrara me ajudara algum tempo arranjar para que a alguém pudesse eu presentear com cartas ou textos repletas de meus devaneios e divagações.
Problemas com as conclusões aqui encontro, como falar de minha morte se ainda encontro-me em vida?
Encorajo a vos amigo ou amiga este relato terminar, não ouses minhas palavras usar.
Mas conclamo a ti me ajudar a concluir esta pagina que muitas vezes felicidades me trouxe só de tu me dizer que duvidas tinha sobre o que eu me propunha a escrever.
De minha morte não temas falar, de o brilho ou ofusque como quiseres, mas não poupe os ouvidos dos teus ou dos meus com certo receio do que os outros de ti vão pensar.
Ponho meu ponto aqui ".", mas acrescento uma virgula ao fim, para que tu venha a tua parte fazer e me permita descansar. “,” ...