quarta-feira, 22 de abril de 2009

POEMA

Os poemas se auto-escrevem no ar, nas flores, na porta de um bar, dentro de um lar ou na rua sob a luz do luar.
Eles são tal como os gatos malandros sem morada certa pra descansar...De muro em muro, pichados nos cantos escuros ou abraçados aos mendigos das ruas.
Ele vaga, navega, trafega e procura o melhor poeta, o que mais sofre, o que mais sorri, o que menos espera por ele...
O que sempre diz: “já morri...”.
Encontrado o manipulador da pena, o brincalhão das palavras...
Cá começa o poema a lhe ditar as frases e os versos para serem alinhados.
Ajustados.
O poeta nada bobo logicamente se põe a escutar e a manuscrever, a recitar e a dar corpo aos que nascem. As crianças da noite, perdidas sem pai nem mãe sem papel ou pedra, madeira ou papiro...Pinta passo a passo o quadro poético que antes estava feio e sem moldura, que antes era somente alma, palavras sem cama, amante sem dama.
Tem poema que quer falar de amor, tem, poema que gosta de dor, vingança, desconfiança, medo, escândalo, doença, desilusão, descrença, fala da rua, da alegria da cura, de tempos remotos, de épocas de rebeldia...Nostalgia...
Eu cá comigo prefiro os que tratam da vida, os que exaltam os momentos em que somente ela se destaca não a vida alheia, mas a vida que semeia alegria.