Existem diferentes tipos de pessoas. Há aquelas que prometem a eternidade, comem biscoitos com chá na tua varanda, falam do mar, do ar, prometem amar, mas não ficam mais que uma tarde. Outro tipo são as que passam apenas alguns minutos, mas perpetuam a angustia no peito daqueles que ficam e sofrem com a ausência. A uma outra espécie, aqueles que nunca estiveram de fato, nunca vão estar, mas insistem nas promessas de dizer que hão de voltar, e com o retorno sanarão as chagas da ausência, doenças estas não causadas com a saudade deste tipo ignóbil de animal.
O tipo mais mesquinho é o que esta presente de corpo apenas, e finge existir e ser ao teu lado, impõe teus títulos de nobreza para que seja amado, erige altares para ser adorado, dita regras, serve banquetes insalubres brindando com teu sangue gota após gota, mas estes malditos vampiros por sua vez nem existem de fato, fingem ser aquilo que nunca foram, proclamam um amor irreal e imortal, dizem ter fé no reencontro, colecionam mentiras e pagam todo o conforto que ganham sem esforço algum com a fuga e consequentemente com a ausência, deixando o anfitrião entregue ao tempo e a exposição ao ridículo.
Mas existem os “puros”, as almas livres que não aceitam o claustro, que nunca prometem a eternidade, aceitam o instante, vivem pelo dia, falam apenas naqueles momentos oportunos, mas nunca prometem. Possuem a mente sã, um corpo estéril e viril, sem vícios, sem os modos repetitivos que as pobres almas condenam. Estas libélulas que tão convidativas tão coloridas vivem aos vôos a todo o tempo, e ordenam que ao seu lado vivam somente aqueles que se desprenderam dos sentimentos malignos tal como a esperança, a humildade, a ignorância... E que vivam pelo dia somente para o instante daquele brilho de sol.